BRASIL, Sudeste, SAO JOSE DOS CAMPOS, Mulher, de 20 a 25 anos

 

   

    Klebao


 

 
 

   

   


 
 
CARA Q TERES?



A cabeça entende. O coração não.

Escrito por caraqteres às 11h31
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Não consigo mais escrever.

Escrito por caraqteres às 15h26
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Faz-de-conta

E aí você percebe que já não consegue mais fazer cara de legal quando julga as tais pessoas em volta dispensáveis demais. Aquele artifício que sua mãe ensinou um dia – não faça essa cara de quem não gostou, disfarça! – foi deixado de lado sabe-se lá quando e porquê.

 

O que você sabe, agora, é que talvez seja impossível bancar a simpática quando, na verdade, sua vontade é sair correndo do lugar. Ou, no mínimo, sacar o livro de dentro da bolsa e voltar pro seu mundo: bem menos engraçado, mas real.

 

Não dá pra conviver só com quem a gente tem admiração, eu sei. Que mal há em sentar à uma mesa onde ninguém fala nada que te interessa e, mesmo assim, dar risada, fazer um ou outro comentário só pra parecer legal, não é mesmo? Mal nenhum, mas como é difícil isso, minha gente.

 

O problema, pra mim, não é conviver pacificamente – eu sei fazer isso. O grande lance é fingir que eu estou gostando. Fingir, fingir, fingir. A tal politicagem, de se fazer interessada por coisas que não te acrescentam, de emplacar um sorriso-padrão-para-assuntos-nada-a-ver-comigo, enquanto penso “não me interesso pelo seu carnaval de 1992, quando você vomitou na sua namorada, mas minha cara consegue te enganar enquanto eu fico aliviada por ter que ficar aqui nessa festa só mais duas horinhas”.

 

Na vida profissional, tudo bem, existem interesses e, às vezes, motivos pra gente se esforçar um pouco. Mas e nas relações pessoais? Por que sair com aquela amiga da época do colégio que hoje em dia usa roupas de pele, só pensa em balada, briga na rua e tem zero afinidade comigo? Eu não! Prefiro lembrar de quando ela salvava as formigas pra não morrerem afogadas e gostava de dividir um prato de brigadeiro, enquanto conversávamos na calçada da nossa rua, em pleno sábado à noite, sem neurose e desespero pra ir numa balada.

 

A gente já passa pouco tempo com quem escolhe e ainda tem que dividir com aqueles que não tá a fim? Tem. A gente tem, sim, que ir numa festa sem ter vontade, tem que dar um sorriso amarelo pra comentário idiota, tem que rir de piadas sem graça, tem que fazer cara de simpática quando a vontade é enfiar a cara na churrasqueira pra não ter que fingir interesse por aquelas pessoas. Não, não são pessoas más. São apenas pessoas tão significativas pra mim quanto a contusão do zagueiro do XV de Caraguá.

 

Mas o mundo um dia inventou e a gente aceitou: é preciso fingir ou, ao menos, omitir. É necessário ter uns modelos diferentes de máscaras pra usar de acordo com o público-alvo. É antipático não rir de tudo, o tempo todo. É um absurdo não ter nada pra comentar quando o assunto é a balada de ontem, que eu nem fui.

 

Então, lá vamos nós. Se eu ainda sei fingir que as piadas machistas do meu chefe são super engraçadas, também posso reaprender a dar um sorriso e fazer alguns comentários-chave, do tipo: que legal; eu também; é mesmo; eu gosto (sorriso-padrão); queria muito ir à sua festa rave (cara convincente), o dia tá mesmo ótimo praquela balada cheia gente que só fala no diminutivo mas pena que eu não vou (cara convincente); também me divirto com quem enche a cara e dá vexame (sorriso-padrão) ...

 

Não custa, Caroline! É só de vez em quando mesmo! E a gente sempre aprende alguma coisa – no mínimo é treino pra um dia me candidatar a algum cargo político. Quem sabe?



Escrito por caraqteres às 15h21
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Homenagem a ela, que não conheci

De acordo com exame do Instituto Médico Legal, quatro dos cinco jovens que morreram em acidente de carro na Lagoa Rodrigo de Freitas (RJ) no último dia 3 estavam alcoolizados. Apenas no sangue de Ana Clara Padilla não foram encontrados vestígios de álcool.

 

Não pretendo aqui levantar discussões a favor ou contra o álcool, criticar pais e mães, maldizer jovens que bebem, nem nada disso. Existe gente gabaritada pra fazer tudo isso. Mas, o fato de apenas uma menina não ter bebido durante a noite me leva a uma rápida identificação, a uma tristeza de quem logo pensa “podia ter sido eu”.

 

Ana Clara era namorada do motorista e pelas entrevistas que eu vi com as suas amigas, tinha brigado recentemente com ele justamente por discordar da quantidade de bebida que costumava ingerir. Se não me engano, já tinha chegado sozinha em casa, tempos antes, dizendo à mãe que preferiu pegar um táxi a voltar pra casa com Ivan Guida.

 

Podia ter sido eu. Podia ter sido eu. Podia ter sido eu.

 

O fato de Ana Clara não ter bebido nesse dia, não significa que não fazia isso nunca. Mas, tenho a impressão de que a garota era avessa à apologia ao álcool. E se eu tiver certa quanto à dedução, a história fica ainda mais triste pra mim. Não, os outros jovens não mereciam morrer, mas – mesmo correndo o risco de ser apedrejada – penso que principalmente Ana não merecia. Ela não.

 

Arrisco dizer que desde que começou essa obrigação de “viver intensamente” - e eu não sei quando começou ou se sempre foi assim – as pessoas se confundiram um pouco com a essência da coisa. Parece fazer parte de um certo senso comum a idéia de que para aproveitar a vida, segundo a segundo, é preciso experimentar tudo freneticamente, fugir da rotina, sair do ar, exagerar.

 

O tal do prazer a qualquer custo é levado a sério por muitos jovens que, para se divertir, dependem do álcool, das drogas, da velocidade, da inconseqüência. Separo assim apesar de não enxergar distinção entre uma coisa e outra.

 

(continuação no próximo post)

 



Escrito por caraqteres às 16h11
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continuação...

Acho que a Ana Clara pensava como eu.

 

Pra me divertir, preciso apenas da minha sanidade, que me permite aproveitar sim, cada segundo, mas aproveitar integralmente, sem me abstrair de mim mesma, sem fazer uso de estimulantes químicos pra sorrir.

 

Pra viver intensamente, preciso me embriagar apenas daquilo em que acredito, do que me acrescenta, jamais do que me reduz à dependência. Pra curtir o mundo eu não preciso tentar ser uma outra pessoa – mais solta, mais ousada, mais alcoolizada.

 

Eu não quero ser sugada por uma substância que me impede de ser tantas dentro de mim mesma. A vida já esfrega sensações malucas 24 horas por dia na minha cara. Eu já experimento o êxtase o tempo todo. E, no entanto, eu não preciso beber pra ser feliz.

 

Pra fugir da realidade eu choro, eu falo, eu ouço música, eu vejo filmes, eu leio, eu escrevo. E tudo isso me permite – felizmente – ser eu mesma o tempo todo. Eu mesma, mesmo tendo outras tantas dentro de mim. Ana Clara devia ser assim.

 

Ana Clara também não precisava. Ana Clara não aprovava. Ana Clara foi injustiçada.

 

Afinal, será isso tudo o reflexo de muitos serem prisioneiros da ilusão da felicidade fácil e sem fim? Felicidade que para ser conquistada precisa da ajuda do exagero, do modismo desenfreado.

 

Saber que Ana Clara não tomou nada alcoólico me fez pensar no quanto ela já deve ter sido motivo de chacota por parte de pessoas que a rotulavam careta e chata só porque se recusava a entrar pras estatísticas dos jovens que ficam bêbados.

 

Digo isso porque com 23 anos eu nunca tomei um porre, nunca usei drogas, nunca dependi de nada pra dançar uma noite inteira, pra rir, pra ousar, pra viver. Mas, ao contrário do que deveria, sou exceção, sou vista com preconceito. Se eu me importo? Não perco tempo, sei que não vou ceder. Acredito nessa loucura que é viver na contramão.

 

Se tantos, no dia a dia, são ativistas praticantes a favor do uso de estimulantes, me reservo o direito de dizer que aproveito a vida intensamente sem, no entanto, arriscá-la irresponsavelmente.

 

Ana Clara, apesar de não tê-la conhecido, essa é uma homenagem a você.



Escrito por caraqteres às 16h10
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Cansaço

Não é raiva, não é rebeldia. É apenas uma certa preguiça do mundo e seus derivados. Essa noite eu ouvi o barulho da caixa d’água se enchendo e chorei. Chorei porque percebi que estou cheia de tantos vazios que se acumularam aqui dentro e, de repente, não sei como me salvar.

 

Tentei as lágrimas pra fazer escorrer toda essa sensação aguda de saciedade daquilo que não gosto. Como quem come muito e depois lamenta por não conseguir andar, eu absorvi o mundo e, agora, não consigo viver.  

 

Eu preciso esvaziar partes pra abrigar outras mais belas, ainda que metades. Mas o mundo me encheu de coisas sujas e feias. O mundo me encheu de guerra, injustiça social, medos e traumas. E eu deixei.

 

Eu estou cheia de pessoas que nada têm além de ecos podres. Elas falam sobre problemas, pedem ajuda, vomitam lamentos e eu saio cansada.

 

Quero apenas um lugar vazio pra guardar o que me interessa. Mas todas as frases inúteis estão aqui. Diálogos mesquinhos, momentos banais, conversas de danceterias, mentiras ditas com cinismo característico, tempo perdido.

 

Vejo tanta coisa bela aqui fora e me falta sorver. Me falta a leveza para enxergar aquilo que o mundo me mostra, com urgência, e eu cega de cansaço, fecho os olhos. Cerro as pálpebras porque me roubaram a vitalidade, levaram minha disposição para suportar o que não me agrada.

 

Eu guardei tudo o que vi até hoje. E estou tão pesada que olho pra algumas pessoas e lembro de todos os seus problemas que nem elas recordam mais. Elas mostraram um dia e eu guardei, elas esqueceram.

 

Guardo o pedido de ajuda, reclamações, amores perdidos, saudade. Guardo sofrimentos, traições e desejos mortos. Guardo, acima de tudo, cansaço.

 

Cansaço de um mundo que não dediquei a mim. De um mundo repleto de filmes que não me agradam, palavras que não gosto, livros que jamais leria. Eu guardo músicas pobres, diálogos idiotas, vontades que nada têm a ver com os meus desejos.

 

Eu guardo um mundo que não me pertence. Um mundo cheio de bêbados que se abraçam comemorando a balada mais cheia dos últimos tempos. Guardo culto exagerado ao corpo, insegurança, dor da traição, nostalgia, depressão. Guardo traumas de infância, excesso de racionalidade, medo do futuro, culpa pelo fracasso.

 

Mas nada disso é o meu mundo. Nada disso sou eu.

Então o que está fazendo aqui dentro?

 

O meu mundo se perdeu dentro do que eu criei com o mundo de todo mundo. E agora preciso encontrar espaço porque me sinto vazia de mim e todo o resto mora aqui me dando tanto cansaço...

 

 



Escrito por caraqteres às 15h47
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SÁBADO

Acordar não tão cedo como nos cinco dias que precederam, mas não mais tarde do que pretendo amanhã. Ainda de olhos fechados procurar a mão dele e envolvê-la na minha cintura, para que eu saiba que não houve fuga durante a madrugada.

Cuidar para que haja um certo silêncio e o dia acorde calmo, mas não deixar que a falta de palavras dure tempo demasiado e deixe as próximas horas vazias demais. Virar para ver o sorriso que, se emoldurado, tornaria o mais belo quadro e contemplar olhos pequenos, rosto amassado e a cumplicidade de uma noite compartilhada.

Tomar um banho daqueles quentes - mesmo no verão - e não sair sem um último jato de água gelada pra manter os cuidados com a pele e alma, que deve se manter acordada.

A roupa vai estar de acordo com o humor, alternando somente entre bom e muito bom porque a melhora deve vir gradualmente, à medida das horas. Não me arrumar sem antes ligar o som para saber que ainda existe música e que ignorá-las não é atitude inteligente para quem deseja um belo dia.

Não sair sem beijar o cachorro, o gato e o meu amado. Avisá-los que não demoro, é o tempo entre um piscar de olhos, que me esperem pro café. Perceber o céu e sentir o dia enquanto caminho em busca das flores, que fiquem onde estão, eu vou chegando.

Avistar as mais belas do dia que de tão coloridas eu sinta alegria e, de repente, eu escolha usando emoção, sem raciocínio, nada de explicação. Sorrir para o florista que de tão conhecido tornou-se amigo e já pode, a essa altura, me dizer como fazer para torná-las mais fortes e vivas, sem medo que eu não faça mais visitas.

Voltar pra casa cantando em gratidão às coisas que de tão simples não fazem alarde, mas uma simples ausência deixaria saudade...

 



Escrito por caraqteres às 10h07
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Vou dizendo...

Já faz algum tempo, mas tem coisas que eu nunca te disse. Eu sei, a gente vai passar vários momentos juntos que eu vou adorar, você vai também e não vamos dizer porque tem coisa que não dá, não é possível falar. Mas hoje eu vou, eu vou tentar.

Eu já te disse que suas pintas no ombro são lindas e me fazem lembrar de algo que não sei, mas me deixa feliz? Eu já disse que seu jeito de andar é tão viril e me faz querer te chamar quando eu fico e você vai embora? Ontem mesmo eu fiquei no portão de casa e você foi caminhando até o carro, pra ir. Naquele momento eu tive vontade de pedir pra você ficar. Pra sempre.

Eu já te disse que às vezes eu te olho com olhos desacostumados e isso só me faz te querer ainda mais? Isso me prova que eu estou certa em te amar. Eu te olho como se não conhecesse e vejo que falta muito mesmo pra eu dizer que te decifro totalmente e esse desconhecido é que me excita.

Eu já te disse que foi no seu beijo que eu encontrei um perfeito encaixe pro meu? Que o seu jeito de segurar minha nuca e passear a mão pelo meu corpo me derretem? Eu sei que já te disse o quanto acho lindo seu sorriso, mas será que já disse também que sua carinha de sono, se esforçando pra não dormir, compete com a sua risada?

Eu já te disse como me sinto feliz em ficar deitada na sua cama do seu lado? Parece que o mundo não interessa, pode acabar, mas me deixa ali com você. Já disse que a sua imagem voltando com café na cama é uma das mais lindas de se ver? Que você sentindo cócegas e me pedindo pra parar só me deixa mais a fim?

Eu já te disse que quando te vi de costas, olhando pro mar, pensei que tinha tudo a ver comigo? E que aquele dia eu achei nada a ver a gente estar só como amigos sendo que tudo conspirava pra muitas coisas mais?

Eu já te disse que não tem nada mais difícil do que testar limites com você? E que quando vem bem devagar beijando meu pescoço consegue me deixar excitada em tempo recorde? E que quando vem rápido me beijando também me excita? E que me excita de qualquer jeito?

Eu já te disse que adoro te ver dirigir, que adoro te ver se trocar, tentando combinar até a cueca? Já te disse como fico orgulhosa quando cozinha pra mim? Como te acho lindo quando está bem carequinha, com cara de moleque?

Já te disse que quando a gente briga parece que tem uma faca pequena e bem afiada cortando a minha alma? E que eu tenho medo da gente se perder, então dói. Já te disse que quando me abraça, depois que a gente briga, parece que passou um furacão e de repente o mundo ficou lindo de novo?

Ah, eu não te disse ainda o quanto te amar me deixa feliz. O quanto meus finais de semana ficaram mais bonitos, gostosos e completos. É, eu não te disse tanta coisa, mas temos tempo. Eu vou dizendo, eu vou dizendo...



Escrito por caraqteres às 15h09
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Somos quem queremos ser

Esse fim de semana levei ainda mais a sério a teoria de que carregamos na alma todas as nossas experiências: boas ou ruins. Está e vai permanecer tudo aqui: desde o primeiro beijo - quando era bem novinha - até a mais recente briga, passando por decepções, alegrias, o dia que ouvi um “não” dolorido, o dia que conheci alguém especial...

 

Não há como fugir: somos a soma do que acontece todos os dias, mesmo que não percebamos tudo o que vai se aninhando e formando nossa personalidade. Fica fácil acreditar, então, que quanto mais velhos, mais bagagens.

 

Estava na praia no feriado. Às sete da manhã do domingo a vizinha de apartamento resolveu agradecer, gritando, pelos pássaros, pelo belo dia, pelo sol. Além disso, colocou uma música em volume alto. Repetindo: às sete da manhã. Não é preciso rezar aqui a cartilha da educação, certo? Não fazer barulho muito cedo e nem muito tarde, todos sabem.

 

Nesse mesmo dia assistimos ao jogo e os meninos ficavam gritando “gol” e, claro, se excediam nos xingos aos jogadores, juiz, etc. Que horas? Cinco da tarde. Nada muito grave se comparado ao caso citado acima.

 

Na manhã de segunda-feira (feriado), mais precisamente às seis e quarenta e oito da manhã, a vizinha resolveu novamente acordar aos gritos de agradecimento, com música em volume bem alto e mais: gritando gol do time adversário ao dos meninos. Para provocar, claro.

 

Nosso amigo resolveu abrir a janela e pedir com educação para que ela parasse, considerando o horário. Ela fingiu que não ouviu e continuou provocando. Então, ele perdeu a linha. Gritou e xingou a mulher (ah é, vale dizer que ela já passa dos 50 anos, pela aparência) que revidou dizendo que na hora do jogo a gente gritou, então ela ia fazer o mesmo de manhã: ouvir a música que ela queria na altura que bem entendesse.

 

Que conclusão eu cheguei? Algumas pessoas carregam bagagens pesadas demais, por pura escolha. Está, sim, ao nosso alcance definir quais experiências predominam na nossa personalidade: as boas ou as ruins.

 

Todo mundo tem problemas, todo mundo já chorou demais, já se viu na lama, já achou que era o fim da vida. Mas, algumas pessoas escolhem carregar essas feridas abertas e mais: contaminar outras que nada têm a ver com seus problemas.

 

A mulher estava, certamente, fazendo aquilo para chamar atenção. Queria alguém pra discutir, soltar as feras, falar bobagens... Concluímos que fomos vítimas de uma pessoa amarga, infantil, problemática. Vale falar que como companhia ela tinha um papagaio, coitado. Deve ser o único que aceita conversar com ela!

 

O que fazer? Prestar atenção àquilo que está formando nossa teia de experiências. Com certeza vamos passar por muito mais decepções, dias ruins, coisas dramáticas. Mas não devemos jamais usar tudo isso, um dia, pra tentar estragar o feriado de outras pessoas. Não poderemos fazer o papel triste daquela mulher.

 

Está nas minhas mãos decidir qual Caroline vai predominar quando eu for mais velha a começar partir de agora.

 

A Caroline das experiências boas e ruins, mas que escolhe não descontar nas pessoas ou a Caroline das experiências idem, mas que fará questão de espalhar amargor pelo mundo?

 

No final das contas sentimos pena. Aquilo atrapalhou nosso sono, mas não deixou vestígios. Ainda temos muito caminho pela frente pra usar isso como experiência e nunca fazer igual. Já a mulher tem bem menos tempo pra perceber que não vale a pena ser tão amarga. Ainda mais quando está realmente um dia lindo, com sol e um feriado delicioso pela frente!



Escrito por caraqteres às 12h31
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Seu nome é Albuquerque?

O caso do general Francisco Roberto de Albuquerque - aquele comandante do Exército que mandou parar um vôo comercial para que ele e sua mulher pudessem embarcar - pode mostrar o quanto todos nós podemos ser, em maior ou menor intensidade, oportunistas morais em benefício próprio.

 

O decoro íntimo e a auto-estima fazem com que não revelemos nem a nós mesmos o que pensamos e sentimos, mas basta fazer um exercício de reflexão para notar a espontânea e sincera preferência que temos por nós mesmos e pelas situações que nos cercam.

 

Vamos testar através de uma situação fantasiosa e exagerada, mas que ilustra muito bem o caso.

 

Você precisa decidir entre dois acidentes - um deles vai acontecer e o poder está nas suas mãos! Entre a queda de um avião na Índia que resultaria em 152 mortos (todos desconhecidos pra você) e um acidente de carro que mataria a sua família, qual você escolhe?

 

Fique tranqüilo, é normal - o peso da proximidade afetiva faz com que rapidamente escolhamos a situação a nosso favor - isso faz parte da natureza humana e é até questão de sobrevivência. Mas é preciso perguntar até que ponto pode chegar nossa preferência por aquilo que nos beneficia.

 

O excesso de parcialidade por nós mesmos, quando se torna explícito e abertamente reconhecido, ofende, agride e envergonha a humanidade - como foi o caso do general citado lá no primeiro parágrafo.

 

Ta certo que ele usou o (abuso do) poder para mandar o avião voltar (nós não conseguiríamos), por outro lado não matou 152 pessoas na Índia para embarcar. Esqueçamos que houve prevaricação e vamos nos limitar ao fato da preferência por si mesmo, prejudicando outras tantas pessoas que estavam já no avião em processo de decolagem. Resumindo: ele não usou o discernimento entre o certo e o errado (e alguém duvida que ele não saiba o que é certo e o que é errado?) numa situação que envolvia escolha moral.

 

E aí nós bradamos sobre o absurdo da sua atitude porque o que está em jogo são ações e interesses distantes da nossa rede de relacionamentos e preocupações. Somos todos juizes muito competentes quando nossa tarefa é aprovar ou condenar determinadas condutas, que não as nossas.

 

Aristóteles já dizia que “ninguém é bom juiz em causa própria” justamente porque quando precisamos atribuir a devida dimensão ao que se refere a nós mesmos; quando é necessário decidir entre nossos interesses e os interesses de outros, nossa capacidade de discernimento e juízo moral tende a ficar seriamente enfraquecida.

 

Mas dá pra perceber que essa parcialidade por nós mesmos ganhou dimensões exageradas, se transformando num vício coletivo. E são esses vícios coletivos que vão tornando o Brasil um país cada vez mais difícil; é essa propensão ao auto-engano - “ah, mas eu preciso embarcar porque tenho um compromisso importantíssimo” ou “tenho furar fila porque estou atrasado”, ou ainda “vou votar no Aroldo porque ele deu as camisas pro meu time de várzea” - que vai diminuindo, cada vez mais, o espírito republicano, a prática da cidadania.

 

Usemos então para pesar o erro do general - guardadas as devidas proporções como o abuso de poder - a mesma balança que utilizamos para aferir nossas atitudes. Jamais deixaremos a parcialidade espontânea de lado, ainda bem (senão também haveria caos, pois a dor dos outros doeria também na gente, nossa auto-estima ficaria demasiadamente abalada, etc) mas é preciso notar, urgentemente, se cada um de nós não é, cotidianamente, uma espécie de general Albuquerque.

 



Escrito por caraqteres às 10h14
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Ronaldo - entre o necessário e o essencial

Ronaldo surge para nos mostrar que precisa mais que dinheiro, mais que saúde, mais que status, mulheres lindas, mansões, viagens e carros importados.

Ronaldo precisa de carinho.

Ele aparece abatido para nos gritar - mesmo em silêncio - que algumas coisas são necessárias, outras essenciais. E que não basta o necessário se o essencial ficou esquecido lá atrás.

Mas, afinal, qual a diferença entre o que é necessário e o que é essencial?

Não existe uma fórmula para responder isso, mas concordo cada vez mais com o psicanalista Contardo Calligaris quando ele afirma que essencial é tudo aquilo que geralmente faz falta quando a lista das coisas necessárias está completa.

É o essencial que alimenta a alma enquanto o necessário abastece o corpo (e o bolso, muitas vezes).

E para Ronaldo, jogador de futebol, o essencial é ser reconhecido por aqueles que vão ao estádio torcer pelo seu time. Para ele, não basta ser elogiado pela imprensa do Brasil, não basta ser titular da seleção cinco vezes campeã mundial, não basta receber vários prêmios, participar das maiores campanhas publicitárias, jogar no time mais rico do planeta.

Ronaldo quer os aplausos da torcida. Ronaldo quer se sentir amado.

Ronaldo quer abastecer a sua alma.

Talvez tenha percebido somente agora que o necessário não basta. Talvez tenha se dado conta de que “está faltando algo” justamente porque a lista de coisas necessárias está transbordando de tão completa.

Mas por que agora, por que isso?

Porque ele é um sujeito comum, como todos nós. Não vive sem o necessário e apenas sobrevive se falta o essencial.



Escrito por caraqteres às 10h57
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ISSO

Totalmente adepta das palavras, estou sem reação por não conseguir - pela primeira vez - encontrar alguma pra definir o que estou sentindo. Eu vasculho, simulo, penso, experimento e nada: nenhum amontoado de letras decente aparece pra me ajudar a formar uma frase, muito menos um texto!

 

Então resolvi escrever sobre como é ficar - literalmente - sem palavras pra exprimir algo. É péssimo, desolador, chega a doer. Não, isso não é um drama.

 

Estou achando que aconteceu porque os sentimentos são superlativos. Dessa vez é superlativo positivo, mas chego a pensar que se for superlativo negativo, a reação será a mesma. Se eu estiver ou muito triste ou muito alegre ou muito ansiosa ou muito entusiasmada ou muito apática, enfim, quando me sentir muito-alguma-coisa vou ficar assim, sem palavras. Será?

 

Hoje, por exemplo, eu já tentei várias vezes escrever sobre os 154 dias do meu namoro. Não dá, não sai nada. Parece que nenhuma palavra em fila, formando uma frase, vai conseguir expressar isso aqui que estou sentindo. Nada do que já foi dito ou escrito vai me satisfazer. Isso aqui que estou sentindo não tem nome, não está nos dicionários, nos livros, nas músicas, nas poesias...

 

Então vamos nomear isso que estou sentindo de apenas “isso”.

 

“Isso” é bom, é animador, é mágico, é tesão, é carinho, é conversa inteligente, é cumplicidade. “Isso” é amor, é amizade, é paixão, é gentileza, é desejo, é novidade, é entrega. “Isso” me deixa feliz, mas eu juro, não consigo descrever. Acabei de ler esse parágrafo e está pobre demais perto do “isso” que tem aqui dentro gritando comigo.

 

Mas algo agrava essa sensação.

 

Não consigo também escrever sobre a vitória do Santos sobre o Corinthians. Vitória honesta, cheia de raça, amor pela camisa e inteligência. Vitória que até os mais otimistas duvidavam, vitória que coloca nosso freguês na caderneta novamente, que me faz ver graça numa segunda-feira chuvosa...

 

Peço, encarecidamente, que criem uma palavra para nomear esses dois fatos: 154 dias de tudo aquilo que tentei descrever no sexto parágrafo e a vitória do meu time sobre o time do cara que tem me deixado cada dia mais, mais, mais... “isso”.

 

Aceito sugestões e já aviso: nada do que está no Aurélio vai funcionar, já tentei.



Escrito por caraqteres às 14h04
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A gente se acostuma a se acostumar

A gente se acostuma com a beleza, com o sorriso que no começo víamos como passaporte pra uma vida feliz, com a graça de um gesto carinhoso, com palavras escolhidas pra nos agradar, com a roupa colocada pra provocar. Então, deixamos de elogiar.

 

Em proporções iguais nos acostumamos com o que é feio, com a tristeza, com os egoístas, com a falta de gentileza, com atitudes rudes. Então, reclamamos veladamente, lamentamos covardemente.

 

Hoje em dia passamos incólumes pelo bom e pelo ruim. Por aquilo que deveria causar indignação e também por algo que mereceria comemoração. Congelamos o choro, adormecemos o júbilo, nos tornamos apáticos.

 

Então, passamos a viver como se muita coisa não fizesse diferença. Não é aceitável que o costume nos cegue, que a resignação nos ampute. Eu não posso concordar com a máxima dos acomodados, com a frase dos apáticos: “é assim mesmo, a gente acaba acostumando.”

 

Não quero me acostumar com a falta de beijos ardentes, conversas completas, planos fantasiosos, pensamentos esperançosos. Não vou me acostumar com a falta de carinho, altruísmo, simpatia, humor, surpresa e com a extinção dos abraços. Não devo e não posso me acostumar com a falta de coragem dos que não pretendem nem querem mudar.

 

Não quero me acostumar com o excesso de diálogos vazios, pessoas mal educadas, pessimistas de plantão. Não vou me acostumar com o excesso realidade, de desesperança, de crueldade. Não posso me acostumar com a abundância da desonestidade, das brigas, das palavras doloridas. Não devo e não posso me acostumar com o excesso de apatia que se abateu sobre as pessoas que eu amo.

 

Eu não quero e não vou me acostumar. Nem com o belo, nem com o feio. Nem com aquilo que me faria cair no choro e jamais com o que me faria gargalhar. É preciso resgatar aquela parte da gente que não se acostuma, que não se acomoda, que não aceita.

 

Quem sabe quando fizermos esse exercício do “desacostume”, passemos a enxergar virtudes, belezas, sorrisos, pedidos. Quem sabe a gente veja que muito do que está aí depende de nós, de um olhar mais atento, de um esforço, de uma percepção.

 

Vou resgatar a capacidade de me surpreender todo dia. Me surpreender com uma flor nascida fora de hora, com uma atitude gentil, com a beleza de um dia ensolarado, com um texto bem escrito, com um animal brincando, com o gesto de alguém que me fez sorrir num dia nublado.

 

Também quero devolver a capacidade de me surpreender com as crianças famintas no semáforo, com o caos generalizado, com atitudes ásperas, com a falta de sensibilidade, com a saudade de algo que já se foi, com o caráter dos desonestos, com o velho pedindo esmola, com o grito de um mal educado.

 

Quero voltar a enxergar, perceber e não me acostumar. Nem com o que me agrada e jamais com aquilo que me destrói.

 



Escrito por caraqteres às 15h30
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2006

Um feliz 2006 para aqueles que não esperam o virar da folha do calendário pra aí sim buscar a felicidade. Para aqueles que apesar da realidade, ainda conseguem desenterrar os pés do chão e voar.

 

Um 2006 alegre para os que arriscaram uma mudança em 2005: aos que abandonaram hábitos destrutivos, aprenderam a perdoar, receber e fazer elogios, chorar. Aos que aprenderam a assumir suas vontades e opções, independente do que os outros iam achar.

 

Um 2006 repleto de coisas boas para aqueles que dedicaram pelo menos um minuto para ouvir atento o problema de alguém, para quem cuidou de um animal, para quem olhou com compaixão para um mendigo, para aquele que disse uma palavra confortante para os pessimistas.

 

Um 2006 espetacular para quem não se contaminou com o baixo-astral, para quem distribuiu sorrisos em meio a crises, para quem fechou a cara quando estava a fim. Um feliz 2006 para quem aprendeu a dizer “não”, para quem amou com toda a intensidade e depois sofreu. E amou de novo.

 

Um feliz 2006 para quem não jogou com os sentimentos, para quem não foi covarde, para quem venceu preconceitos. Um 2006 completo para os que acreditam na honestidade como o único caminho, para os que não aceitam hipocrisia, para os que não se calam diante de injustiças.

 

Um 2006 fantástico para quem realizou um sonho, dois, três. Para aqueles que ensinaram algo a outra pessoa. Um ano próspero para quem não desistiu de ser feliz, para quem mantém a reserva da esperança sempre cheia.

 

Um ano intenso para quem vive o presente, para quem luta contra os fantasmas do passado, para quem sabe da incerteza do futuro. Para aqueles que assumiram suas culpas, pediram desculpas e, principalmente, aprenderam a perdoar a si próprios.

 

Um 2006 doce para quem foi firme com os objetivos, para quem estava quase desistindo e de repente acordou, para quem deu um presente, para quem foi justo. Um 2006 bem movimentado para quem não admite a apatia, para quem demonstra sentimento, para quem não distribui opiniões cruéis a respeito dos outros.

 

Um ano que vem favorável aos bem-humorados, aos otimistas, aos engraçados, aos criativos. Um 2006 surpreendente aos trabalhadores, aos corajosos, aos sozinhos, aos rodeados. Àqueles que não se entregam, não seguem a onda das reclamações, não se unem aos estúpidos e ignorantes.

 

Um 2006 gratificante para aqueles que sabem voltar atrás, mudar o rumo, para aqueles que criam expectativas, para os que se dedicam a uma causa social, aos que amam os animais, as flores, a natureza. Um 2006 perfeito para aqueles que pararam de fumar, para os que não alimentam o tráfico, para os que têm orgulho de ser brasileiro. Apesar de tudo.

 

Um 2006 edificante pra quem leu seu primeiro livro, pra quem presenteou uma criança com um, para quem contribuiu para o conhecimento de alguém. Um próximo ano delicioso para quem não tripudia com ninguém, para quem tem consciência de que cada atitude - por menor que seja - reflete no mundo. Ano edificante também para aquele que sorriu ao ver um gato brincando, para aquele que chorou um filme, para o que abaixou e pegou o lixo do chão para jogar no cesto.

 

Um 2006 bem limpo para os que os que não sujaram as ruas, para aqueles que reciclaram o lixo, reaproveitaram materiais. Para aqueles que dedicaram tempo para ler sobre práticas sociais, para quem contribui para o desenvolvimento da auto-sustentabilidade do planeta.

 

Um ano digno para quem é educado com garçons, motoristas, atendentes. Para quem não é arrogante, não é grosso, não é mentiroso. Um ano próspero para quem lutou pra pôr comida na mesa, para quem praticou cidadania, para quem fez gentilezas.

 

Um ano surpreendente para todos os que acreditam e lutam. Para os que nadam contra a corrente de água suja e fazem a diferença no mundo!

 



Escrito por caraqteres às 10h56
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Eterna pré-estréia

Joguei fora tudo sobre o meu passado, esqueci decepções e me entreguei pra você. Eu não quero ser só metade pra um amor desse tamanho porque só metade não satisfaz ninguém, você sabe.

 

Eu não quero conviver achando que de repente você vai dizer adeus porque isso me mata um pouco a cada dia. Eu não posso pensar em virar as costas porque isso é cruel com a gente.

 

Eu largo mão das experiências anteriores, eu já nem penso mais porque tudo não aconteceu antes. Se estivemos tão perto por tanto tempo não soubemos nos encontrar. E agora pela primeira vez eu sei como é viver achando que é pra sempre.

 

E se você ou eu formos embora um dia, eu saberei que o eterno é assim mesmo: dura o tempo necessário pra não ser esquecido jamais. Mas eu não sei conviver com isso porque de tanto pensar que tudo acaba, acabei me convencendo. Então eu paro de viver pra ficar pensando que preciso viver ao máximo porque vai acabar. Eu sei, sou louca.

 

Esse labirinto me consome porque não dá pra viver pensando o tempo todo. Não dá pra ser extremamente racional porque o amor não é assim. O amor é ridículo, patético, feito pros românticos, pros deliciosamente ingênuos.

 

E eu sei, você sabe, é algo mágico. Tão mágico como aquela vez que nos encontramos na rua, atrás do shopping. Aquele dia eu soube que não te deixaria ir. Aquele dia você decidiu que não iria.

 

Então eu fico aqui, me obrigando a não pensar. A não calcular quanto tempo dura um amor assim, quanto tempo você vai suportar vivendo com uma nem menina nem mulher intensa demais. Eu tenho tanta intensidade que nem eu me suporto, então fico colocando gelos teatrais pra fingir pra mim e pra você que posso viver só um dia de cada vez.

 

Mas eu quero de verdade é viver todos os dias num só. Beijar todos os beijos hoje, viver essa semana todo o prazer que não tive. Não dá pra deixar tudo pro tempo decidir porque ele foge. Você sabe que ele foge e não aceita ser encarcerado. Então vamos ser intensos juntos, vamos deixar de achar, vamos viver. Eu e você.

 

Só que eu não sei viver assim, só no sentimento. Eu preciso que você me ensine a acreditar no que não está escrito, no que não está falado, provado. Eu quero aprender a sentir, parar de pensar. O amor não existe pra ser calculado, filosofado. Então vamos só sentir, eu e você, aqui bem pertinho.

 

Porque quando você não está por perto eu sou uma pessoa que só pensa. Basta você chegar pra eu acreditar no que está escondido atrás dos pensamentos. Basta você me tocar pra eu jogar no ralo todas as teorias ridículas que fiz porque não sabia o que era só sentir. É só você chegar pra eu ter a certeza de que é você.

 

E pra não pensar no fim eu quero novos começos, todos os dias. Quero repetir eternamente o primeiro beijo, falar de antes dele até. Eu quero iniciar todos os dias, sem te conhecer. Eu preciso reviver a gente toda hora. Eu não quero me acostumar, eu não quero que você se acomode, nós não podemos adormecer porque é preciso deixar o amor vivo o tempo todo.

 

Eu quero viver o primeiro dia todos os dias. Eu quero viver o segundo dia toda hora, a primeira vez que nos deitamos juntos todo minuto. Eu quero me embriagar da nossa paixão, eu vou te fazer sentir o choque da primeira vez eternamente.

 

Porque, meu amor, se a gente começar todos os dias, não vai haver tempo pro fim.



Escrito por caraqteres às 09h56
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