BRASIL, Sudeste, SAO JOSE DOS CAMPOS, Mulher, de 20 a 25 anos

 

   

    Klebao


 

 
 

   

   


 
 
CARA Q TERES?



Somos quem queremos ser

Esse fim de semana levei ainda mais a sério a teoria de que carregamos na alma todas as nossas experiências: boas ou ruins. Está e vai permanecer tudo aqui: desde o primeiro beijo - quando era bem novinha - até a mais recente briga, passando por decepções, alegrias, o dia que ouvi um “não” dolorido, o dia que conheci alguém especial...

 

Não há como fugir: somos a soma do que acontece todos os dias, mesmo que não percebamos tudo o que vai se aninhando e formando nossa personalidade. Fica fácil acreditar, então, que quanto mais velhos, mais bagagens.

 

Estava na praia no feriado. Às sete da manhã do domingo a vizinha de apartamento resolveu agradecer, gritando, pelos pássaros, pelo belo dia, pelo sol. Além disso, colocou uma música em volume alto. Repetindo: às sete da manhã. Não é preciso rezar aqui a cartilha da educação, certo? Não fazer barulho muito cedo e nem muito tarde, todos sabem.

 

Nesse mesmo dia assistimos ao jogo e os meninos ficavam gritando “gol” e, claro, se excediam nos xingos aos jogadores, juiz, etc. Que horas? Cinco da tarde. Nada muito grave se comparado ao caso citado acima.

 

Na manhã de segunda-feira (feriado), mais precisamente às seis e quarenta e oito da manhã, a vizinha resolveu novamente acordar aos gritos de agradecimento, com música em volume bem alto e mais: gritando gol do time adversário ao dos meninos. Para provocar, claro.

 

Nosso amigo resolveu abrir a janela e pedir com educação para que ela parasse, considerando o horário. Ela fingiu que não ouviu e continuou provocando. Então, ele perdeu a linha. Gritou e xingou a mulher (ah é, vale dizer que ela já passa dos 50 anos, pela aparência) que revidou dizendo que na hora do jogo a gente gritou, então ela ia fazer o mesmo de manhã: ouvir a música que ela queria na altura que bem entendesse.

 

Que conclusão eu cheguei? Algumas pessoas carregam bagagens pesadas demais, por pura escolha. Está, sim, ao nosso alcance definir quais experiências predominam na nossa personalidade: as boas ou as ruins.

 

Todo mundo tem problemas, todo mundo já chorou demais, já se viu na lama, já achou que era o fim da vida. Mas, algumas pessoas escolhem carregar essas feridas abertas e mais: contaminar outras que nada têm a ver com seus problemas.

 

A mulher estava, certamente, fazendo aquilo para chamar atenção. Queria alguém pra discutir, soltar as feras, falar bobagens... Concluímos que fomos vítimas de uma pessoa amarga, infantil, problemática. Vale falar que como companhia ela tinha um papagaio, coitado. Deve ser o único que aceita conversar com ela!

 

O que fazer? Prestar atenção àquilo que está formando nossa teia de experiências. Com certeza vamos passar por muito mais decepções, dias ruins, coisas dramáticas. Mas não devemos jamais usar tudo isso, um dia, pra tentar estragar o feriado de outras pessoas. Não poderemos fazer o papel triste daquela mulher.

 

Está nas minhas mãos decidir qual Caroline vai predominar quando eu for mais velha a começar partir de agora.

 

A Caroline das experiências boas e ruins, mas que escolhe não descontar nas pessoas ou a Caroline das experiências idem, mas que fará questão de espalhar amargor pelo mundo?

 

No final das contas sentimos pena. Aquilo atrapalhou nosso sono, mas não deixou vestígios. Ainda temos muito caminho pela frente pra usar isso como experiência e nunca fazer igual. Já a mulher tem bem menos tempo pra perceber que não vale a pena ser tão amarga. Ainda mais quando está realmente um dia lindo, com sol e um feriado delicioso pela frente!



Escrito por caraqteres às 12h31
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